A empresa Simpar vai levantar até R$ 3,4 bilhões em capital. A operação tem como âncoras a BNDESPar e a família controladora.
Além de reduzir sua própria dívida, a operação permitirá à Simpar capitalizar suas controladas Movida e Vamos.
O braço de participações do BNDES, o BNDESPar, vai investir até R$ 1,35 bilhão nas três companhias. O valor será distribuído da seguinte forma: até R$ 680 milhões na Simpar, R$ 375 milhões na Movida e R$ 300 milhões na Vamos.
O restante do valor será contribuído pela JSP Participações, que é o veículo de investimento da família Simões, e por investidores institucionais que ainda não participam do capital da empresa. Esses investidores ficarão abaixo do patamar de 5% que exigiria divulgação pública.
As conversas entre a Simpar e o BNDES começaram há quase um ano. O CEO da Simpar, Fernando Simões, disse que o aporte representa uma validação do modelo de negócios do grupo.
“Isso é um selo da nossa governança e da geração de valor do nosso negócio,” afirmou Simões. O acordo também prevê direitos que permitem ao BNDESPar manter uma participação relevante em futuras operações da companhia.
A Simpar fará um aumento de capital de até R$ 2 bilhões, com as ações sendo ofertadas a R$ 11,24. Este preço representa um desconto de 5% em relação ao fechamento do dia anterior ao anúncio.
Já a Movida pretende captar entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões a R$ 11,72 por ação. A Vamos poderá levantar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões a R$ 3,85 por ação. Os preços das ações da Movida e da Vamos têm descontos de 12% e 10%, respectivamente.
O aumento de capital deve dar mais fôlego às empresas do grupo em um momento em que o alto endividamento era uma preocupação do mercado. A Simpar viu sua alavancagem aumentar após um ciclo intenso de investimentos entre 2020 e 2024.
Em junho, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings globais da Simpar, JSL, Movida e Vamos de BB para BB-. A classificação no Brasil também foi reduzida, de AA+(bra) para AA(bra).
Nos últimos trimestres, a empresa começou a tomar medidas para resolver a situação. No terceiro trimestre, a Simpar reportou uma alavancagem de 3,5 vezes, uma queda de 0,2x em relação ao mesmo período do ano passado. O nível ficou abaixo do limite estabelecido em seus acordos de dívida, que é de 4 vezes.
Em agosto, a empresa vendeu a Ciclus Ambiental para a Aegea por um valor empresarial de R$ 1,9 bilhão. Segundo cálculos de analistas, essa transação deve ajudar a reduzir a alavancagem da Simpar para cerca de 3,1 vezes.
Fernando Simões comentou que a redução da dívida poderia acontecer organicamente com o tempo, mas que a operação atual traz capital novo e reduz custos financeiros.
A diluição da família controladora deve ficar entre 10% e 18%. Atualmente, os Simões detêm 76% do capital da Simpar.
Os bancos Bradesco BBI e Santander estão assessorando a empresa na operação.
