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Brasil busca aliança com Argentina e Paraguai para exportar biocombustíveis à Europa

Por Giro das Notícias · · 3 min de leitura
Brasil busca aliança com Argentina e Paraguai para exportar biocombustíveis à Europa
Foto: Agência Brasil

O Brasil busca formar uma aliança com Argentina e Paraguai para tentar reduzir a resistência da Europa aos biocombustíveis da América Latina, como etanol e SAF (combustível sustentável de aviação). O movimento ocorre enquanto a União Europeia discute duas pautas que podem dificultar a importação desses produtos.

Para os países latino-americanos, o objetivo é ampliar as vendas para um grande mercado consumidor que, desde as guerras na Ucrânia e no Irã, vem reduzindo o uso de combustíveis fósseis.

Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio (Associação Brasileira de Biocombustíveis), afirma que é preciso alinhar um discurso comum, já que Brasil, Paraguai e Argentina usam matérias-primas diferentes. Enquanto os argentinos baseiam a produção na soja, o agro brasileiro utiliza milho ou cana-de-açúcar. "Queremos buscar uma unificação de posição", diz.

"Estamos vivendo um processo de internacionalização do setor. Europa, Japão, Canadá, todos têm potencial de compra", completa Goergen. "Só o Brasil consegue abastecer o mundo com SAF, biodiesel e etanol."

Por enquanto, os europeus preferem a eletrificação, setor dominado pela China. As guerras elevaram o preço do petróleo e do gás natural e mostraram a dependência europeia de importações do Oriente Médio e da Rússia. Desde 2022, a União Europeia adota programas para diversificar fornecedores e criar alternativas aos fósseis.

A parcela de renováveis no sistema elétrico do bloco subiu de 35% para 48% entre 2020 e 2024. A meta da UE é chegar a 70% de renováveis na matriz energética até 2050.

Diplomatas do Brasil e da União Europeia disseram à Folha, sob reserva, que não há interesse atual em importar biocombustíveis para substituir gasolina e diesel. O foco da UE na América Latina são os minerais críticos e terras raras, usados em baterias e painéis solares. O bloco já tem acordos com Chile e Argentina e busca um com o Brasil, com quatro projetos de mineração em vista.

No Parlamento Europeu, tramita uma resolução que, a partir de 2030, pode excluir biocombustíveis de óleo de palma e soja dos critérios de descarbonização, classificando-os como não sustentáveis. A votação deve ocorrer até agosto. Negociadores admitem que a medida pode ser ampliada para milho ou cana.

O Parlamento também debate uma nova norma geral de renováveis, com consulta pública em andamento. Os europeus devem redefinir o que é um biocombustível sustentável.

Hoje, a Europa não é um grande mercado para esses produtos brasileiros. Em 2025, o Brasil exportou 1,6 bilhão de litros de etanol, dos quais pouco mais de 200 milhões foram para o continente. O acordo UE-Mercosul prevê cotas de mais de 800 milhões de litros para o etanol sul-americano.

Produtores apostam no biodiesel, setor que exporta apenas 1% da produção. "O setor de biodiesel tem muito a ganhar com embarques regulares para a Europa", diz Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, que já tem usina na Suíça e escritório na Itália.

Produtores brasileiros suspenderam uma viagem à Europa para primeiro criar a aliança com Argentina e Paraguai. A iniciativa partiu do Brasil e as conversas estão em estágio inicial.

Estudos europeus apontam que combustíveis vegetais usam lavouras que poderiam produzir alimentos, contribuindo para a insegurança alimentar e o desmatamento. Produtores brasileiros encomendaram um estudo da USP para mostrar que, na América Latina, as condições permitem dois ou três ciclos por ano, ao contrário da Europa, que tem uma safra anual. Eles argumentam que os biocombustíveis não exigem novo desmatamento, pois usam áreas já plantadas.

A Europa é mais aberta ao SAF para aviação, mas quase todo o combustível usado vem de óleo de cozinha reciclado, não de vegetais. O mercado é pequeno: nas projeções mais otimistas, a Europa deve atingir 10% de uso de SAF na aviação apenas em 2050.

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