Check-up do idoso: os exames que valem depois dos 65 e os que perdem sentido
Vinte exames de sangue normais e nenhuma densitometria: o check-up que dá segurança sem proteger.

Imagine uma mulher de 68 anos em Uberlândia que faz "check-up completo" todo ano num laboratório, com vinte exames de sangue que sempre vêm normais, e se sente segura. O que ninguém pediu foi densitometria, mamografia nos últimos três anos, exame de vista ou um teste de audição. Ela nunca caiu, nunca fraturou, mas está com osteoporose sem saber. O geriatra monta o check-up do idoso de outro jeito: pelo que muda a vida, não pela lista do laboratório.
Este texto explica o que a revisão anual do idoso tem de diferente, quais exames têm indicação por faixa etária, o que o geriatra avalia no consultório que nenhum exame mostra, quais exames de rotina não fazem sentido depois de certa idade, o calendário de vacinas do adulto mais velho e como organizar tudo numa consulta por ano.
O que muda na revisão anual depois dos 65
No adulto jovem, a revisão procura doença silenciosa: colesterol, açúcar, pressão. No idoso, além disso, ele procura perda de função silenciosa: visão, audição, força, equilíbrio, memória, humor, nutrição e osso. Nada disso aparece no sangue.
Por isso a consulta anual do geriatra vale mais que a bateria de exames: ela mede o que o laboratório não mede e pede só o exame que muda a conduta.
Exame que não muda conduta em idoso gera ansiedade, procedimento e custo sem benefício.
Essa lógica também poupa dinheiro: quem faz vinte exames por conta própria paga por dezoito que não mudam nada e deixa de fazer os dois que mudariam.
Check-up do idoso: os exames com indicação depois dos 65
A tabela reúne o que costuma ter recomendação, com a frequência habitual; o médico ajusta ao caso.
| Exame | Para quê | Frequência usual |
|---|---|---|
| Pressão, peso, altura e circunferência | Hipertensão, perda de peso, perda de altura por vértebra | Toda consulta |
| Glicemia, colesterol, função renal, hemograma, tireoide, vitamina B12 e D | Diabetes, anemia, rim, tireoide, deficiências que confundem com demência | Anual |
| Densitometria óssea | Osteoporose antes da fratura | Mulheres a partir de 65, homens a partir de 70; repetir em 2 anos |
| Mamografia | Câncer de mama | A cada 2 anos até 74 anos; depois, individual |
| Pesquisa de sangue oculto ou colonoscopia | Câncer de intestino | Até 75 anos; depois, conforme expectativa de vida |
| Exame de vista com medida de pressão ocular | Catarata, glaucoma, óculos desatualizados que causam queda | Anual |
| Audiometria | Perda auditiva, ligada a isolamento e declínio cognitivo | A cada 1 a 2 anos ou ao primeiro sinal |
| Eletrocardiograma | Arritmia silenciosa | Anual em hipertenso, diabético ou cardiopata |
A lista é menor do que o pacote de laboratório e mais completa do que ele. Quem procura um geriatra em Uberlândia encontra na relação de profissionais cadastrados na cidade, com endereço e contato, quem monta esse calendário e o revisa a cada ano.
O que se avalia no consultório e não no laboratório
A sequência abaixo é a parte da consulta que nenhum exame substitui.
- Memória: mini exame do estado mental ou teste do relógio, em cinco minutos.
- Humor: escala de depressão geriátrica, porque a depressão do idoso se esconde em cansaço e dor.
- Força e marcha: levantar da cadeira e andar cronometrado, força de preensão.
- Nutrição: peso comparado ao ano anterior, apetite, mastigação, dentes.
- Remédios: cada caixa revisada, com retirada do que sobra.
- Funcionalidade: o que o idoso faz sozinho em casa e fora, e o que passou a precisar de ajuda.
Exames que deixam de fazer sentido?
Rastreio de câncer de próstata por PSA em homens acima de 70 sem sintomas, colonoscopia depois dos 75, mamografia depois dos 74 e exames de imagem "para ver como está" sem queixa costumam gerar mais achado sem importância do que benefício. E cada achado leva a mais exame e mais risco.
A regra da geriatria é: o exame precisa ter chance de mudar uma decisão que melhore a vida da pessoa no tempo que ela tem pela frente. Quando não tem, não se pede.
Essa conversa é feita com o próprio idoso, que decide junto.
Vacinas do adulto mais velho
Gripe anual, pneumocócica com esquema próprio para idosos, covid conforme a campanha, difteria e tétano a cada dez anos, herpes-zóster a partir dos 50 e, em algumas regiões, febre amarela. O SUS oferece a maioria; a de zóster está na rede privada.
O cartão de vacina entra na consulta anual como qualquer exame, e o geriatra completa o que falta.
Idoso vacinado interna menos, e internação é onde ele mais perde função.
Organizando tudo em uma consulta por ano
Marcar a consulta do geriatra antes dos exames, não depois: ele pede o que faz sentido e a família não gasta com o resto. Levar caixas de remédio, carteira de vacinação e exames anteriores. Sair com o calendário do ano: quais exames, quais vacinas, quando voltar.
Idoso com doença crônica descompensada tem consultas intermediárias; a revisão anual é o momento de olhar o todo.
Cada ano, comparar com o anterior é o que mostra a tendência antes de virar problema.
Perguntas frequentes sobre check-up do idoso
Quais exames o idoso deve fazer todo ano?
Sangue básico (glicemia, colesterol, rim, hemograma, tireoide, B12 e D), pressão e peso em toda consulta, avaliação da visão, e os rastreios por faixa etária: densitometria, mamografia, intestino e audição.
Exame de sangue substitui o geriatra?
Não. Memória, humor, força, equilíbrio, nutrição, remédios e funcionalidade só se avaliam no consultório, e são o que mais muda a vida do idoso.
Densitometria é para todo idoso?
Para mulheres a partir de 65 e homens a partir de 70, ou antes com fatores de risco. Quem já fraturou por queda tem osteoporose até prova em contrário.
Tem exame que o idoso deve parar de fazer?
Rastreios de câncer sem sintomas em idade avançada, como PSA acima de 70 e colonoscopia acima de 75, costumam trazer mais risco do que benefício. A decisão é conjunta.
Quais vacinas?
Gripe anual, pneumocócica, covid conforme campanha, difteria e tétano a cada dez anos e herpes-zóster a partir dos 50.
Consulta antes ou depois dos exames?
Antes. O geriatra pede só o que altera a conduta, e a família não gasta com exame inútil.
Resumo
O check-up do idoso não é o pacote de laboratório: além do sangue, ela inclui densitometria, mamografia e rastreio de intestino conforme a idade, avaliação de vista e audição, e o que só o consultório mede, memória, humor, força, nutrição, remédios e funcionalidade. O geriatra monta esse calendário na consulta anual, completa o cartão de vacina e retira os exames que já não mudam decisão, como rastreios de câncer sem sintoma em idade avançada. Marcar a consulta antes dos exames é o que evita gastar com o que não serve.

