Enquanto o Brasil apresentava o primeiro F-39 Gripen de fabricação nacional, a Coreia do Sul também seguia com seu programa de aviação de combate. O país revelou o primeiro caça KF-21 Boramae de produção em série, que deve entrar em operação ainda este ano.
A cerimônia aconteceu nas instalações da Korea Aerospace Industries (KAI), em Sacheon, com a presença do presidente Lee Jae Myung e outras autoridades. Em seu discurso, o presidente disse que o momento era simbólico e que o país agora conta com meios próprios para proteger sua soberania no domínio aéreo. A aeronave apresentada é um modelo de dois assentos, com a matrícula 26-001.
Este marco ocorre pouco mais de três anos após o primeiro voo do KF-21, realizado em julho de 2022 com um protótipo. O programa, avaliado em cerca de US$ 12 bilhões, foi lançado em 2016. Seu objetivo é substituir os antigos F-4 Phantom II e F-5 Tiger II da Força Aérea do país, além de complementar a frota atual, que inclui modelos como o F-15K, o KF-16, o FA-50 e o F-35.
A Força Aérea da Coreia do Sul é a cliente inicial, com uma encomenda de 40 aeronaves. A Indonésia também deve comprar 16 unidades. A Indonésia participa do desenvolvimento do projeto e se comprometeu a financiar cerca de 20% do programa. No entanto, atrasos nos pagamentos e a compra recente de outros caças geraram dúvidas sobre o nível de comprometimento do país.
A entrega do primeiro KF-21 de série é um passo na estratégia sul-coreana de fortalecer sua indústria de defesa. Apesar de usar alguns componentes estrangeiros, como motores e armamentos, o projeto foi desenvolvido localmente, o que ajuda a consolidar capacidades industriais e tecnológicas no país.
O design do KF-21 tem linhas inspiradas em caças de quinta geração. Nas primeiras versões, porém, a aeronave carrega armas externamente, o que reduz suas características de baixa observabilidade. A fabricante KAI já planeja o desenvolvimento de versões mais avançadas, com compartimentos internos para armas e um maior nível de furtividade.
A aviação de combate global vive um momento de renovação de frotas. Vários países buscam desenvolver ou adquirir novas aeronaves para manter capacidades de defesa aérea modernas. A Coreia do Sul, com o KF-21, se junta a um grupo seleto de nações com capacidade para projetar e produzir seus próprios caças a jato, um campo historicamente dominado por poucas potências. Essa conquista tecnológica tem impacto não apenas militar, mas também industrial, gerando empregos e conhecimento especializado.
