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Investigação liga Shimada a tráfico e fraude do INSS

Por Giro das Notícias · · 3 min de leitura
Investigação liga Shimada a tráfico e fraude do INSS
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Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada comandava uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. O esquema estaria conectado a uma cadeia de empresas envolvidas na fraude do INSS e na operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC no ramo de combustíveis.

O caso, chamado de Operação Saturno, foi enviado à Justiça Federal em maio. O motivo foi a "possível conexão probatória com investigações federais já em andamento pela aparente coincidência de investigados, estruturas empresariais, fluxos financeiros e mecanismos de lavagem de capitais". As informações foram encaminhadas à Polícia Federal.

As descobertas fazem parte da operação que prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada. O empresário está foragido. A defesa de Shimada informou que deve se pronunciar mais tarde. A Folha de S.Paulo tenta localizar os advogados de Stella.

Na quarta-feira, dois dias antes da operação, ambos foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. A alegação é de que eles operam um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

A investigação que liga Shimada a outros casos começou em 2024. O ponto de partida foi a prisão de Alexsandro Freitas Faria, o "Leko". Policiais apreenderam com ele cerca de R$ 100 mil em espécie e outros itens supostamente ligados ao tráfico de drogas.

Uma perícia no celular de Leko revelou, segundo a Polícia Civil, uma rede de lavagem de dinheiro. Havia transações financeiras entre pessoas físicas e jurídicas, formando uma teia que dificultava o rastreamento dos valores. A investigação identificou fornecedores de drogas e, depois, os operadores financeiros que movimentavam o dinheiro. Foi nesse ponto que o nome de Shimada apareceu.

A ligação surgiu do cruzamento de dados do celular de Leko com outras investigações. A primeira conexão envolveu a Wave Intermediações, alvo de uma operação do Gaeco sobre desvios no patrocínio da VaideBet ao Corinthians. Shimada foi ligado ao comando da Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros.

A empresa foi conectada à Victory Trading, uma microempresa fundada por Shimada em 2021. A Victory virou sociedade limitada em novembro de 2023 e elevou seu capital social de R$ 110 mil para R$ 30 milhões. Nesse período, de novembro de 2023 a março de 2024, a empresa recebeu R$ 25 milhões da Wave Intermediações.

O relatório final do caso indica que a atuação das empresas de Shimada se conecta a CNPJs envolvidos na fraude bilionária do INSS e à Operação Carbono Oculto. Segundo os investigadores, não há uma relação necessariamente direta. A conexão ocorre por meio de contas "bolsão", que são empresas e contas usadas para receber valores de origem criminosa.

Parte dos operadores identificados na rede de Shimada aparece também na cadeia de empresas alvo de outras operações. O relatório final da CPMI do INSS cita a Victory e a Wave Intermediações como parte da teia que recebia recursos desviados de aposentados e pensionistas.

A investigação aponta Shimada como parte de um dos núcleos do esquema. Esse grupo tem conexão com outro núcleo que reúne empresas suspeitas de operar recursos da Arpar, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". O proprietário formal da Arpar, Rodrigo Moraes, foi preso em dezembro em outra investigação federal.

O relatório da Operação Saturno também cita uma ponte entre esse núcleo e a Wise Tech, que faz parte da teia de empresas investigadas na Carbono Oculto. Investigadores afirmam haver conexão entre a Wise Tech e um empresário envolvido na operação.

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