O ministro da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, renunciou ao cargo nesta terça-feira (2), após mais de um mês de protestos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, confirmou uma fonte do ministério à AFP.
Trabalhadores, camponeses, mineradores, transportadores e professores exigem medidas contra a pior crise econômica do país em quatro décadas, e o governo não descarta declarar estado de exceção, para usar os militares no controle das manifestações.
Segundo a imprensa local, Salinas foi substituído por Ernesto Justiniano, vice-ministro de Defesa Social e Substâncias Controladas, conhecido como czar antidrogas.
O governo optou até o momento pelo diálogo, mas não foi atendido pelos líderes das organizações que lideram os protestos.
Uma centena de bloqueios de estradas são reportados no país, quase o dobro do que duas semanas atrás, segundo dados oficiais. Essas ações provocaram escassez de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz e na cidade vizinha de El Alto.
A gestão de Paz denuncia uma tentativa de “alterar a ordem democrática” e acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) de promover as manifestações.
Os protestos, que já duram mais de um mês, têm origem na pior crise econômica enfrentada pelo país nas últimas quatro décadas. A inflação e a escassez de dólares afetam diretamente a população, que enfrenta dificuldades para adquirir produtos básicos. Os bloqueios de estradas, coordenados por diferentes setores, agravam a situação ao impedir o transporte de alimentos e combustíveis para as principais cidades.
A renúncia de Salinas ocorre em meio a um impasse entre o governo e os líderes dos manifestantes. Até o momento, as tentativas de diálogo não resultaram em acordo. O governo estuda a possibilidade de decretar estado de exceção para conter as paralisações, o que permitiria o uso das Forças Armadas no controle das vias e na distribuição de suprimentos.
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