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A situação não é favorável para o início da campanha de Lula à reeleição, e as pessoas próximas ao petista demoram para reconhecer os fatores negativos e agir de forma…

Por Giro das Notícias · · 3 min de leitura

A situação não é favorável para o início da campanha de Lula à reeleição, e as pessoas próximas ao petista demoram para reconhecer os fatores negativos e agir de forma unida, no governo e na política. Na verdade, esse grupo precisa de um coordenador e de alguém com influência sobre Lula. O que mais se ouve entre auxiliares e aliados é que ele tomará todas as decisões importantes, no seu próprio tempo.

Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se tornando a CPMI do Lulinha, o diálogo com o Congresso, já ruim, piora, e as definições sobre quem fica e quem sai do governo e sobre os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado ocorrem de forma intermitente, sem uma direção clara.

Lula se reuniu com as pessoas que devem formar sua campanha em São Paulo, estado importante para a eleição. Tudo indica que Fernando Haddad disputará o governo. Simone Tebet deve ser a candidata de Lula ao Senado. E o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve ser confirmado na chapa à reeleição, pode atuar como coordenador, oficial ou informal, da campanha de Lula e de Haddad no estado que governou quatro vezes, sendo um contraponto à gestão de Tarcísio de Freitas.

Se confirmado esse arranjo, Lula terá dado, a menos de um mês do prazo para desincompatibilizações, o início da montagem de seus candidatos em todo o país, um fator importante em uma eleição polarizada e disputada.

A oposição já está mais adiantada na articulação, como mostrou o mapa esboçado por Flávio Bolsonaro na semana passada. Ainda há problemas a resolver na direita, mas as conversas começaram há mais tempo e envolvem vários partidos.

O ano começou com desgaste na avaliação de Lula, medido em pesquisas públicas e internas do PT e do governo. Não foi apenas o episódio do carnaval. Contribui para o aumento da rejeição a Lula a impressão, difusa e imprecisa, de que os escândalos do INSS e do Master são de responsabilidade do Executivo.

Esse é outro problema que ele e sua equipe demoram a resolver. É difícil entender como Lula volta de viagem ao exterior, encontra vários problemas e não se reúne com os presidentes da Câmara e do Senado para tentar resolvê-los. De pouca utilidade pública é dizer em entrevista que, se o filho tiver de dar explicações sobre o INSS, que dê.

A associação de sua família a escândalos passados está presente em parte do eleitorado. Episódios como esse ativam um vírus muitas vezes latente. Subestimar o efeito desse tipo de assunto é amadorismo.

Davi Alcolumbre já deu pelo menos dois recados de que está insatisfeito com o governo e quer conversar. Não se trata de atender a mais demandas do presidente do Congresso, que já tem muitos cargos e benefícios em um governo do qual nem é aliado formal. Mas não ter um canal constante de diálogo com a liderança do Legislativo pode ser fatal para um governo que, desde o primeiro dia, sabe não ter maioria no Congresso.

Tudo isso resulta em um quadro em que o Planalto constantemente é pego de surpresa com derrotas. Não controla nem a agenda dos projetos que pretende defender na campanha eleitoral, como o fim da jornada 6×1 e a PEC da Segurança, ambos muito mais dependentes do presidente da Câmara, Hugo Motta, do que de Lula e seus ministros, alheios ao debate.

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