O presidente Luiz Inácio Lula (PT) confirmou o uso do FGTS para renegociar dívidas no programa chamado Desenrola 2. Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano de fazer apostas em sites esportivos. A medida faz parte do pacote do governo contra o endividamento da população.
“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, disse Lula em pronunciamento em rede nacional.
Lula citou as diretrizes gerais do programa, que será detalhado em evento na próxima segunda-feira (4). O endividamento da população é uma das principais preocupações do presidente às vésperas de sua campanha à reeleição.
Na declaração, Lula reiterou que os endividados terão juros de no máximo 1,99% e descontos de 30% até 90% no valor da dívida. Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão usar até 20% do FGTS para reduzir o saldo final da dívida. As instituições financeiras precisarão oferecer um desconto mínimo de 40% para a renegociação.
O desenho técnico do programa foi fechado na segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em reunião com CEOs de bancos públicos e privados. O uso do FGTS deve ter um custo de R$ 4,5 bilhões nos próximos três meses, segundo o Ministério do Trabalho.
No pronunciamento, Lula também defendeu a redução da jornada 6×1. “Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo”, afirmou.
O presidente relacionou a pauta com o público feminino, enfatizando a sobrecarga das mulheres com trabalho e cuidados com a família. O governo também incluiu medidas contra o mercado de apostas no pacote contra o endividamento. Na semana passada, a Fazenda bloqueou sites como Kalshi e Polymarket.
O pronunciamento marca o Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta (1º). Lula busca aumentar sua popularidade em ano eleitoral após duas derrotas políticas: a rejeição de Messias pelo Senado na quarta (29) e a derrubada dos vetos à redução de penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.
